O texto oficial da GPLv3 foi lançado ontem (29).
A GPL é uma das licenças mais utilizadas em software livre, como o kernel do Linux. A GPL é um licença que se caracteriza por proteger os direitos sobre uso do código, ao contrário de uma licença convencional, que normalmente protege os direitos do autor.
Juntamente com a GPLv3, foi lançada a LGPLv3. A LGPL é normalmente adotada para o código de bibliotecas ou outras produções intelectuais em que há interesse por parte do autor que o código possa ser integrado com outros programas que usem uma licenças incompatível com a GPL.
O que isso tem a ver comigo?
Se você trabalha com TI, tem muito! A GPL representa uma visão bastante ideológica da produção de software, e as mudanças nessa nova versão refletem isso. Você quer utilizar código licenciado sob GPL? Ok, você tem toda liberdade nisso, até o momento em que você o altere. Aí você precisa licenciar todo seu código desenvolvido a partir do código original com a licença GPL. Ironicamente ao defender a liberdade do software ao extremo, algumas das liberdades dos desenvolvedores acabam sendo reduzidas. Se o desenvolvedor não está tão preocupado com a ideologia do seu software, pode usar alguma outra licença menos restritiva, como a licença BSD, que não impõe limitações em como o software pode ser redistribuído.
A nova versão da GPL cria mecanismos para um tipo de uso que desagrada a turma barbuda de notebook sujo. Uma dessas situações é o uso do código do Linux no TiVo. Conforme a licença GPL, todas alterações realizadas no código foram disponibilizadas publicamente. Isso não quer dizer de forma alguma que você irá conseguir construir seu próprio TiVo a partir do código liberado. Boa parte da tecnologia e da mágica do TiVo está no seu hardware, que até então não precisava ser free software. Sem um TiVo, o software criado pelo fabricante não tem muita utilidade. De alguma forma, que eu ainda não sei qual, a GPLv3 inicialmente se propunha a limitar esse tipo de uso. Por que afinal? Por que gente preocupada demais em ideologia acaba deixado de enxergar oportunidades de crescimento (o mercado pode ser bom para todos, com diria Mankiw).
Já faz algum tempo que acho que o maior limitador do crescimento do uso de software livre é justamente a incapacidade de separar ideologia de negócios. Pergunte aos milhões de usuários do Firefox por que eles o usam. Quantas pessoas irão citar a licença como um fator que influenciou a escolha?